quinta-feira, 11 de junho de 2015

por falar em amor...




O VELHO


Ela estava absorta. Perdida em seus pensamentos, observava a parede branca onde estava pendurado um enorme quadro com a imagem de Jesus, que parecia os estar encarando com seus olhos doces e a longa cabeleira a escorrer pelos ombros. Tinha os braços abertos numa atitude de acolhimento. Sentiu-se protegida.

Rosa acomodou-se melhor na cama, afofando o travesseiro e recostando-se nele. Pousou as mãos sobre o colo, coberto pelo lençol. Olhou o velho deitado a seu lado. Tinha o rosto enrugado pelos anos. A barba por fazer. Era magro e aparentava ter sido um rapaz alto, embora estivesse agora encurvado devido ao tempo. Dormia. Rosa sorriu. Amava aquele homem. Sessenta e quatro anos de casados. Fizeram no outro mês, ainda há pouco. Lembrava-se do começo: As modinhas cantadas para ela. Os bailes nos enormes salões iluminados. Tinha só dezoito anos quando o conhecera. Ele era um exímio dançarino e sabia conduzir como ninguém. Casara-se aos vinte e um. Quanto tempo...

Um pouco inquieta, revirou-se na cama, observando todo o quarto: a seu lado um criado-mudo. Sobre ele o abajur apagado. E um terço. Com ele rezava todas as noites. Pedia pelo seu velho, pelos filhos, pelos netos...
Pensou em Lourenço, o filho mais velho. Dera-lhe somente um neto, Eduardo. Tão sem juízo. Separou-se logo depois do nascimento do filho. E ela quase não via o bisneto... Não conseguia entender essa mocidade. “É que o amor acabou, Vó !”. – Como assim, acabou? O dela não acabava. Nunca.

A cortina estava entreaberta. A janela ficava um pouco acima da cama, no lado onde o velho dormia. Os primeiros raios de sol ameaçavam entrar pelo quarto, atravessando o vidro fechado. Bronquite. Não podiam abusar do frio da madrugada, ou senão era uma tosse só.
“Põe uma blusa, velho!”- dizia. E adiantava? Ele se limitava a resmungar qualquer coisa e virar para o outro lado, enquanto folheava as páginas do jornal. De ontem...

Um pouco abaixo da janela, junto à cama, ficava o outro criado-mudo. Sobre ele o rádio relógio. Há muito o velho não o punha a despertar. “Relógio pra quê?” – dizia. – “A gente acorda cedo mesmo, e depois não tem nada prá fazer...”
Horas... Que horas seriam ? Da posição onde estava não conseguia ver direito e não queria acordar seu velho. Fôra dormir tarde. Ficou colado à TV até altas horas. “Perder tempo assistindo jogo... Ganha alguma coisa?” – “Me deixa, velha...” – e ela ia dormir sorrindo. Futebol era a paixão dele. Ainda se
lembrava do dia em que o Brasil perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai. Ele ficara tão abatido. Chorou como se fosse a coisa mais importante... “É só um jogo” – ela pensava. Mas não dizia nada. Não queria chateá-lo.
Por quê estava demorando tanto para acordar? Levantava quase sempre antes dela. Não conseguia ficar muito tempo na cama. “Maldito reumatismo” - praguejava. “Já tomou seu remédio, velho ? “ – “Já, velha. Já!”

Rosa distraiu-se pensando nos outros filhos. Juliana era a segunda. Casou-se logo depois de Lourenço. Tiveram dois filhos: Paulo e Catarina. Eram carinhosos com eles. Juliana ficou viúva há uns dois anos e seus netos sofreram muito. Mas a vida é assim... Uns vem, outros vão...

Sentiu um calafrio. Não gostava muito de pensar na morte. Não tinha medo de morrer, mas a idéia de ficar sozinha a deixava apavorada. Procurou com os olhos alguma coisa para distrair a mente. Viu o guarda-roupa na parede ao seu lado. Mogno. Ela escolhera junto com o velho, havia muito tempo. “Não se fazem mais móveis assim hoje em dia” - pensou.

De volta aos filhos: Joana era a próxima. Casou-se e mudou para o sul. Vinham visitá-los, às vezes. Ela, o marido e os dois filhos. Quer dizer, no começo vinham, mas agora que os meninos estavam crescidos, não queriam mais saber de ver gente velha. Pedro, seu genro, demonstrava uma certa má vontade com eles. Rosa não se importava. O velho é que não tinha muita paciência. Sempre arrumava motivo para discussão...

Janaína, a única solteira. Tinha já passado dos cinqüenta... Vivia sempre ocupada, envolvida com o trabalho. Era gerente de uma loja de artigos finos. A loja tomava quase todo o seu tempo. Mas, de todos os filhos, era a que mais lhes dava atenção. Vinha ao menos duas vezes por semana ver se estava tudo bem, e mesmo quando não vinha, ligava. Rezava muito por ela, para que encontrasse alguém e se casasse. Para ser feliz como ela era com o velho. Olhou-o de novo com carinho. Continuava imóvel. Estranho...

Rosa voltou seus pensamentos para o caçula: Isaías. Morava com uma moça quase vinte anos mais nova. Ele estava agora com ... quarenta e oito, talvez? Ela deveria ter uns trinta, se muito. Nunca aprovara aquele namoro, mas quem era ela para dar palpite? Só uma velha... “Deixa o menino em paz” – dizia o velho. “Ele sabe cuidar da vida dele...”. Os homens têm uma certa cumplicidade. Principalmente quando se trata de mulheres mais novas... e bonitas!

Ah! Seu velho... Quantas alegrias passaram juntos. Lembrava-se de uma vez quando, já maduros, foram passear na praia de mãos dadas. Um grupo de jovens que passava por eles, ao verem o relógio em seu pulso perguntaram :
* Aí tia, que horas são ?
Imediatamente, ele virou-se para os garotos dizendo:
* Tia? Vocês tem coragem de chamar essa “gata” de tia ?
Ela ficou rubra na mesma hora. Velho assanhado. Tantos momentos passados juntos... Tanto carinho! Muitas brigas também. Ô velho teimoso, parecia uma mula. Quando empacava não tinha jeito. Mas ela o amava...

“Por quê esse homem não acorda, meu Deus?” – Pensava consigo mesma. “Vamos, velho. Tá na hora.”. Sacudiu-o ligeiramente. Nenhum sinal.
“Esse homem tá de brincadeira comigo...” – Ele adorava lhe pregar peças. Sabia que ela ficava brava e isso o divertia ainda mais. Como daquela vez em que ele se deitou ao contrário na cama. Colocou os pés no travesseiro e a cabeça nos pés. E ela conversando no escuro com os pés dele. Só percebeu depois de muito tempo, quando ele desatou a rir. Era uma criança.
Uma outra vez lhe dera também um tremendo susto, mas sem querer. Foi quando teve o infarto. Duas pontes de safena e uma mamária. Ele quase se foi. Rosa ficava uma fera quando ele dizia :
* Velha, quando eu morrer você vai arranjar outro ?
* Se você se for, eu vou junto velho... – retrucava ela irritada.

Começava a se inquietar. Colocou a mão sobre a mão fria do velho. Rosa começou a respirar com dificuldade. Muitas imagens vinham à sua mente: lembranças de quando era criança. Lavando roupa à beira do rio. Sua mãe chamando-a para o jantar. A luz dos lampiões. O batizado dos filhos. Lembrava-se de cada um. A lua de mel passada na praia. O nascimento do seu bisneto. Queria vê-lo de novo. As imagens se misturavam deixando-a completamente atordoada.

Sentiu uma forte dor no peito. Estava suando. Enxugou os olhos úmidos com o lencinho bordado que deixava ao lado da cama, no criado mudo. Engolindo o choro, Rosa abaixou-se até quase encostar no velho e sussurrou-lhe com a voz rouca:
* Dorme, meu velho. Pode dormir. Você deve estar cansado...
Deu um beijo em sua testa gelada. Sentia o braço formigar. Cansada pelo esforço, deixou-se escorregar pelo travesseiro até estar novamente deitada. Virou a cabeça para um dos lados e também dormiu. Igual ao velho.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Amar...



"Amar... é quando não dá mais pra disfarçar. Tudo muda de valor... tudo faz lembrar você!"

Amar é isso!
Amar é uma coisa!
E não estou falando somente de amor homem-mulher, mulher-mulher, homem-homem... Estou falando de amor de verdade, aquele que você não controla, é gratuito, desesperado.
Aqui do lado eu me declaro apaixonada... Sim, sou uma mulher apaixonada pelo meu marido, filhos, família, amigos... Não espero nada deles, só me entrego, me entrego de corpo e alma e coração. Quando eu amo alguém ou uma causa, eu luto por ela e pra ela, quero fazer o meu melhor, tudo tem que estar perfeito dentro daquilo que me é possível ser e fazer.

A gente costuma dizer que quando a gente ama qualquer coisa serve para relembrar ficamos no mundo da lua, ficamos com borboletas no estômago... E é realmente assim, eu por exemplo, tô num estado de amor absoluto pelo meu afilhado Arthur. Amo todos meus sobrinhos! Todos mesmo! Mas o Arthur tem me conquistado num grau... ai ai... acordo pensando nele e vou dormir pensando nele... Trabalho pertinho da casa da minha irmã e vou almoçar com ela de segunda a sexta, mas quando chego e ele está dormindo, já não é a mesma coisa, o dia fica incompleto... A Alice, minha sobrinha-neta, já não vejo com tanta frequência, e quando vejo tenho vontade apertar e apertar e apertar... 
A mesma coisa com minha família por parte do marido, a gente se vê muito pouco, mas é tão intenso quando a gente está junto! Como eu amo! 

É uma delícia viver amando!
Não sei se todas as pessoas que convivem comigo percebem o quanto as amo, até mesmo porque eu sou uma pessoa bem difícil (mentira), e não sou de ficar demonstrando carinho... kkkkk mas eu tento... 

Ok? Ok! Super fácil amar quem tá do lado da gente...

E, aqueles amores que a gente deixa escapar?

Tem uma pessoa, muita próxima, que juntas, deixamos o amor escapar... Ela me faz sofrer diariamente, maltrata minha mãe, e isso eu não consigo admitir! Porém, aqui dentro, a amo, eu sei disso e é por isso que eu sofro tanto... 

E aquela pessoa que não pensa, não vive, como você espera que tem que pensar e viver? Você consegue amar? 

Vivemos cheios de regras, de convicções, de certezas, de apontamentos, julgamentos... e nos deixamos levar por tudo isso esquecendo do real motivo pelo qual nascemos: amar. Muitas vezes julgamos impossível, mesmo, amar algo ou alguém tão contrário ao que somos, mas ainda assim, deve haver compaixão e respeito. Afinal, para outros eu posso ser o contrário... Entende?

Então, antes de qualquer objeção, tente não deixar o amor escapar... 

Quel



procure entender essa música fora do âmbito conjugal... ;)





terça-feira, 9 de junho de 2015

Encontrar Alguém



Encontrar alguém especial para dividir a vida com a gente, não é tarefa fácil! Até porque não depende só de nós... 

Muita gente acha que estar sozinho é um problema, se sente deprimido, rejeitado... Mas a verdade é que não é preciso ter alguém do lado pra ser inteiro. Já falei aqui uma vez que Ser Feliz e Estar Feliz depende somente de uma pessoa: Eu, ou no caso: Você... kkkkkk

Mas, se você quer desencalhar, vai aí algumas dicas... Não quer dizer que vá funcionar, mas não custa tentar... ;)

- Não se desespere!
Tem gente que fica tão desesperada pra namorar, que acaba não se dando conta das pessoas ao redor, e muitas vezes acaba perdendo algumas boas oportunidades...

- Não se desespere, mesmo!
Tem gente que fica tão desesperada pra namorar, que acaba namorando com a primeira pessoa que aparece, e esquece de si mesma. Esquece de averiguar se a pessoa é legal pra ela...

-Tenha calma!
Sua hora vai chegar tão clichê e tão verdadeiro! Sim, pra todo pé cansado tem um calçado velho, ou novo, vai depender do seu gosto... A pessoa vai aparecer em sua vida, quando menos esperar... Comigo aconteceu justamente quando eu decidi ficar de boa, só curtindo a vida...

- Abra bem os olhos!
Pode ser que a pessoa já está na sua vida, mas você ainda não a enxergou com outros olhos... Pode ser que seu vizinho/ a ou amigo/ a de infância ou colega de trabalho, seja sua alma gêmea, mas você só enxerga a amizade e não vê o real potencial...

- Seja você mesmo!
Ser você mesmo atrai pessoas que são elas mesmas... =O) kkkkk Não tente disfarçar seus defeitos, ou suas qualidades para conquistar alguém. Esteja onde estiver, seja o que é. Sorria se estiver com vontade, não sorria se não quiser... Fale das coisas que você curte, vá a lugares que sinta-se bem...

Não sei se percebeu, mas essas dicas são apenas pra você não ficar na neurose do "ninguém me ama, ninguém me quer", e valorizar quem você é. De nada vale você ter alguém ao seu lado, se você não se valorizar, não se amar, não se colocar em primeiro lugar em sua vida. 
Você deve estar no topo da sua lista! Invista em você! Se ame!

#FicaADica ;)
Quel